Colóquio “Imagem e exílio no cinema da América Latina”

Entre os dias 31 de julho e 02 de agosto, no Anfiteatro Térreo – Prédio da Reitoria UNIFESP (Sena Madureira, 1500, Vila Mariana, São Paulo), realiza-se o Colóquio “Imagem e exílio no cinema da América Latina”, promovido pelo Departamento de História da Arte da Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (EFLCH) da UNIFESP.

Imagem colóquio

O colóquio busca recuperar a memória de um passado complexo, visando abordar o tema do exílio em seus diferentes significados: a relação entre cinema e populações indígena; as configurações da dor: violência memória e esquecimento; a relação entre exílio e história; o exílio, a herança barroca; e cinema e exílio.

O exílio é um tema e uma vivência  comuns à maioria dos países da América Latina. Iniciativas de recuperação da memória destas passagens históricas são sempre necessárias. Colocar essa temática por meio de uma mostra e um colóquio não alcança apenas à urgência de recuperação do contexto histórico e social, mas à própria história do cinema da América Latina. O conceito de colóquio contempla duas características fundamentais para uma reflexão estética e política sobre o cinema na América Latina que considere a questão do exílio. Primeiro, a ideia de uma conversa, pois retira a pretensão de uma preleção feita a partir de uma fala competente, especializada, que sempre se institui designando os outros como incompetentes ou inexperientes, o que nos leva diretamente para o discurso político colonial ou neocolonial, que se consolidou historicamente e que exilou vários saberes e experiências dos espaços cognitivos. Evidentemente, não se trata de negar os saberes e experiências adquiridos, mas de questionar o pressuposto da “fala competente” como fundamento de uma prática intelectual. Segundo, o colóquio tem como horizonte uma prática cinematográfica muito significativa: aquela da “roda de conversa”, que nos remete à experiência de encantamento dos espectadores quando saiam do cinema e que se traduzia na necessidade de falar sobre o que tinham acabado de ver.

A questão política é fundamental; trata-se de um percurso que vai da abordagem política à política na abordagem. E o tema exílio permite pensar a política em seu sentido mais amplo possível, pois permite refletir um cinema na América Latina sem assumir nenhuma noção que remeta aos movimentos nacionalistas ou a uma tradição como ponto de partida – por exemplo, aquela que supõe ser possível uma identidade latino-americana, a partir da qual se deve falar. O exílio é uma espécie de constelação de significados, cujo traçado é sempre móvel, de acordo com as linhas imaginárias que já estão esboçadas e com outras que ainda se delinearão – trata do exílio motivado por razões políticas ou econômicas e até do sentimento de se sentir estrangeiro ou estranho diante de uma realidade adversa. As diversas mesas que conformam este colóquio têm como fundo reflexivo uma discussão dos aspectos sociais e históricos, políticos e filosóficos da memória e do esquecimento em sociedades que passaram por experiências autoritárias em sua história recente.

PROGRAMAÇÃO:

31 de julho – 4a feira

10h
Abertura. Profª. Drª. Soraya Soubhi Smaili – Reitora UNIFESP.

O tango como alegoria histórica da nação exilada pela ditadura. Prof. Dr. Ismail Xavier (ECA/USP)

O enigma da dor do exílio. Profa. Dra. Olgária Chaim Féres Matos (Filosofia/USP, UNIFESP)

Café

14h
Memórias indisciplinares do exílio em “Diário de uma Busca”, de Flávia Castro. Profa. Dra. Carolin Overhoff Ferreira (História da Arte – ECA/USP)

“Em teu nome…”: cinema político? Profa. Dra. Graciela Foglia (Letras/UNIFESP)

Crianças no exílio. Profa. Dra. Celia Cavalheiro (Audiovisual/SENAC)

Café

16h
Herdeiros do exílio – Memória e subjetividade em três documentários chilenos contemporâneos. Natalia Barrenha (Doutoranda – Instituto de Artes/UNICAMP)

Ressignificações do exílio no cinema argentino contemporâneo. Profa. Dra. Ana Daniela de Souza Gillone (Pós-doutoranda – ECA/USP)

O Cineclube Antonio das Mortes na Ditadura Militar. Marina da Costa Campos (Mestranda – Imagem e Som/UFSCAR).

01 de Agosto – 5a Feira

09h
O exílio das telas. Profa. Dra. Marilia Franco (ECA/USP)

Memórias de Prisioneira(o)s Política(o)s. Argentina e Brasil, anos 1970 e 1980. Prof. Dr. Afrânio Mendes Catani (PROLAM/USP)

O ICAIC e a memória dos exilados. Cristina Alvares Beskow (Doutoranda – ECA/USP)

Café

11h
“Nostalgia de la luz”. Marie Goulart (Mestranda – ECA/USP)

Qual memória é esta? Uma abordagem a partir de “Hércules 56″. Gabriela Peters (Mestranda – UNIFESP)

14h

Dialética marxiana ou dubiedade barroca em “Terra em Transe”. Prof. Dr. Rubens Machado Jr. (ECA/USP)

Exílio na Terra Estrangeira/Filiação ao Estado Nacional: cinema, identidade e política (1990-2013). Prof. Dr. Murilo Leal Pereira Neto (Economia Política e Negócios/UNIFESP)

Autogestão e exílio: a luta por moradia do mutirão Paulo Freire, em Cidade Tiradentes, São Paulo. Um comentário sobre o filme “Entre Tempos”, de Henri Gerveseau. Prof. Dr. Pedro Fiori Arantes (História da Arte/UNIFESP)

O exílio como metáfora para a paisagem na América do Sul – pintura brasileira nos anos 20. Profa. Dra. Letícia Squeff (História da Arte/UNIFESP)

Café

16h30

Rogério Sganzerla: figura do desterro. Felipe Moraes (Doutorando – ECA/USP)

Chris Marker e a cantiga do exílio. Nicolau Bruno (Doutorando – ECA/USP)

Exílios Distópicos: Análise do filme “Dois perdidos numa noite suja”. Fernando Rodrigues Frias (Mestrando – PROLAM/USP)

02 de agosto – 6a Feira

09h

A relação com o passado da ditadura após o exílio na obra documental do cineasta uruguaio Mario Handler. Mariana Vilaça (UNIFESP)

A divisão do exílio: “Tangos, el exilio de Gardel”. Prof. Dr. Ignacio del Valle Dávila (Université Toulouse II)

O golpe do Chile visto da França: análise de “L’ambassade” (1974), de Chris Marker. Dra. Carolina Amaral de Aguiar (História/USP)

La llama encendida no se apagará: exílio e resistência militar contra a ditadura de Pinochet em “Acta General de Chile” (1986), de Miguel Littín. Alexandro de Sousa e Silva (Mestrando – História/USP)

Café

11h30

Experiências brasileiras com a ficção gótica nos anos 1970: os casos de Walter Hugo Khouri e Carlos Hugo Christensen. Profa. Dra. Laura Loguercio Canepa (Pós-Graduação Comunicação/UAM)

Bressane no exílio: neuroses & obsessões. Fabio Camarneiro (Doutorando – ECA/USP)

O exílio indígena na justiça comunitária de “La Nación Clandestina”. Profa. Dra. Yanet Aguilera (História da Arte/UNIFESP)

14h

Mesa Configurações da dor: violência, memória e esquecimento

Sofrimento e memória: a figura da vítima. Profa. Dra. Cynthia Sarti (Ciências Sociais/UNIFESP)

Aproximações sobre a iconografia da violência e da dor. Prof. Dr. Jens Baumgarten (História da Arte/UNIFESP)

Verdade, memória e esquecimento na literatura. Prof. Dr. Bruno Konder Comparato (Ciências Sociais/UNIFESP)

Memória e esquecimento no filme “Diário de uma busca”. Prof. Dr. Mauro Luiz Rovai (Ciências Sociais/UNIFESP)

Café

INSCRIÇÕES GRATUITAS (40 vagas) até 30 de julho através do e-mail: julia.bedoya@unifesp.br

Organização: Profa. Dra. Olgária Chaim Féres Matos, Prof. Dr. Mauro Luiz Rovai e Profa. Dra. Yanet Aguilera Franklin de Matos.

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